Wesley Damasceno

Wesley Damasceno

Então era tudo sobre digitar código?

Se a IA consegue escrever código mais rápido que humanos, então o que sobrou do sonho de virar um programador?

segunda-feira, 13 de abril de 2026

E se tudo aquilo que você passou anos aprendendo pudesse ser feito em segundos por uma máquina?

Quando eu comecei a gostar de programação? Sinceramente, não lembro o momento exato, mas lembro que o fato de criar coisas, construir coisas, sejam elas físicas com papelão e cola branca ou com códigos de computador, era o que eu gostava de fazer.

O primeiro computador que usei nem era meu, era da escola. E eu tinha, sei lá, 8 anos? Sempre procurava uma maneira de aprender mais sobre as coisas, isso é quase inato da minha parte.

Os computadores me mostraram que eu consigo ir mais além, consigo resolver problemas reais de pessoas, além de me divertir no processo.

Lembro que na escola uma vez passou o filme "Piratas da Informática" em que contava a história da Microsoft vs Apple, isso me deixou ainda mais motivado, comecei a conhecer cada vez mais a história de lendas da computação como o Carmack, Berners Lee, Knuth, Geohot... Eu queria ser um deles, uma lenda.

O lendário John Carmack no computadorO lendário John Carmack no computador

O tempo passou e eu seguia com meus estudos em computação, comecei a aprender a fazer manutenção de notebooks, formatar HDs, queimar fontes de gabinetes até aprender como reconhecer uma fonte de má qualidade. Aprendi HTML e CSS, sofri com o JavaScript, mas no final das contas aprendi também. Nesse meio tempo, eu já sabia que, seja lá qual for minha profissão daqui a uns anos, ela teria que ser com isso, programação.

Logo aprendi a construir alguns sistemas simples, bem simples, como calculadoras de parcelamento, jogo da velha, páginas de receita...

Fui avançando até começar a mexer com frameworks e bibliotecas. Sentia-me poderoso, mas mal sabia que eu não sabia nada ainda sobre o mundo de desenvolvimento de software comercial.

Tudo era difícil, mas logo ficava fácil. Tudo parecia complicado demais, até ficar simples.

Eu gostava realmente de tudo isso, escrever, compilar, ver quebrando e corrigir, ver quebrando novamente e até que enfim conseguir ver funcionando como esperado.

Eu poderia ficar um tempão falando aqui como foi minha trajetória, mas isso não é foco, como nas LLMs, é apenas um pouco de contexto sobre meu começo.

Presente e futuro


Agentes como o Claude Code são fantásticos, você passa uma pequena instrução e vê ele percorrendo sua base de código para entender padrões utilizados, stack do projeto e vários outros detalhes que ajudam a ter mais contexto sobre os problemas que ele irá resolver.

De repente (não foi do dia para a noite), ele consegue fazer aquilo que só a gente poderia fazer? E meio que sim, não vou entrar no campo onde é falado que ele falha em X, Y, Z. Isso não importa mais.

Mas e agora? Vou ser substituído? Sinceramente, eu não ligo muito para isso. Essa não é uma preocupação para mim, a real preocupação que eu tinha era:

"O que irei fazer agora, para continuar gostando do que faço?"

A resposta bem direta que a maioria vai falar é óbvia, gostar não enche barriga e nem paga boleto. Mas também não é sobre isso que estou falando.

Em algum momento da sua vida, vai ser preciso estar em paz consigo mesmo. E para algumas pessoas é ter um propósito do porquê de fazer as coisas.

Foi aí que percebi... Eu preciso encontrar o caminho, afinal, lá no começo eu nem conhecia programação e mesmo assim já fazia um monte de coisas inúteis.

Programação é só 1% do que você pode alcançar.


Tudo é uma abstração de alguma coisa, principalmente na nossa área.

Na história, a gente descobre em pouco tempo que tudo teve um "Antes" e que, para o que usamos no dia a dia existir, foram necessárias décadas de trabalho dos mais diversos em matemática, eletrônica, química...

E sim, eu gosto muito de programar, escrever quase à mão. Mas não gosto tanto a ponto de não conseguir viver sem, na verdade, a programação tem sido para mim o meu arsenal de ferramentas, que agora precisa expandir.

Se você acompanha alguns conteúdos sobre astronomia, deve ter visto sobre a missão "Artemis II" onde 4 astronautas deram uma volta na lua em 10 dias.

Christina Koch, Jeremy Hansen, Victor Glover e Reid Wiseman – Artemis IIChristina Koch, Jeremy Hansen, Victor Glover e Reid Wiseman – Artemis II

Acompanhar esse programa, os astronautas, me fez perceber que o ser humano pode fazer coisas extraordinárias se não pôr limites em si mesmo.

Eu nunca fui um defensor de "Especialistas vs Generalistas", eu tenho uma visão de que se eu puder aprender, eu irei.

Então, por que se limitar a ser apenas um construtor de software? O momento atual abriu oportunidades para descobrir novos horizontes, novas maneiras de enxergar nossa profissão.

Então era tudo sobre digitar código?


Para mim, foi uma fase que aproveitei bem, sou grato por todo conhecimento que tenho sobre programação, mas ainda não é o suficiente. Eu ainda tenho muito a estudar e experimentar em relação à computação.

O ponto é, você precisa pagar suas contas, então use isso ao seu favor e quando eu digo "isso" eu me refiro à IA, Claude Code e tudo que há por vir.

Está com tempo livre? Vai estudar/fazer aquilo que você gosta de fazer, isso é libertador.

"Mas daqui a alguns anos não vão existir desenvolvedores", então é melhor você estudar mais, expandir seus horizontes. Porque logo mais você vai enxergar por conta própria que isso não passa de uma falácia extremista e exagerada.

Se você é como eu, estude matemática, física, química, eletrônica, inglês, arquitetura de software... construa um computador de 8 bits, prove algoritmos com matemática, crie jogos, crie experiências agradáveis para outras pessoas usarem. Mas não ignore o processo, porque o valor real está nele.

Nosso pálido ponto azul – Artemis IINosso pálido ponto azul – Artemis II